terça-feira, 9 de junho de 2015

Monstruoso!

“...a criatura é maior que um homem, possui as dimensões totalmente inumanas. Ela poderia ser facilmente confundida com um urso caminhando em pé... se esse urso fosse feito de plantas, matéria vegetal em decomposição e terror. Terror imenso que ganha contornos de insanidade ao reparar que os olhos da monstruosidade esboçam não só uma inteligência superior, mas uma certa dose de compaixão, baseada na ciência que basta um balançar de seus ombros para a espécie humana ser aniquilada e a Terra voltar para o domínio Verde.”



Exagerei? Acho que não. Desde a passagem de Alan Moore pelo Monstro do Pântano, o personagem obscuro da DC Entertainment ganhou dimensões poderosas, um representante das forças da natureza, capaz de fazer frente a deuses e monstros. Por isso mesmo, perdoe o trocadilho, escrever uma história do Monstro do Pântano depois da fase do Mago de Northampton é um “terreno pantanoso”. A fase do Alan Moore não definiu só um obscuro personagem de segundo escalão,  mas foi também um dos alicerces do selo Vertigo, o playground adulto da DC.

Mesmo assim, a editora DC encarou o desafio e incluiu o Monstro do Pântano em um de seus título dos Novos 52,  passando a responsabilidade do primeiro arco para Scott Snyder, nome em ascensão na DC.

O autor respeitou o terreno sagrado e começou o run sem fugir muito dos conceitos criados por Alan Moore. Alec Holland, o alter ego do Monstro, é o humano escolhido pelo Verde para ser o Campeão do reino Vegetal (um conceito muito parecido com o Elemental da Terra concebido por Moore) para defender o planeta das influências de Sethe – ou Podre, o reino da entropia. Outra novidade é que Abigail Cabe, o eterno par romântico do Monstro do Pântano está bastante envolvida com as forças da Podridão, deixando todo o desenvolvimento romântico com leve toque shakespeariano. 

Não, não é um texto do Bardo. Nem mesmo é um texto do bardo... de Northampton. Mas estabeleceu toda a força cinética que impulsionaria as 40 edições da série, mais três anuais e edições especiais.


Scott Snyder conduziu com competência as 20 primeiras edições, restabelecendo o Parlamento das Árvores nos pântanos da Lousiana, criando um freio conceitual para a onipotência do Monstro do Pântano ao manter uma parcela humana dentro da carcaça vegetal. Snyder reforçou também a persona de Anton Arcane como o nêmeses do Campeão do Verde e praticou um fan service branco num crossover com o Homem-Animal.

Nada muito fantástico, mas coerente e acima da média dos  títulos dos Novos 52. Com a saída de Snyder, quem assumiu os roteiros foi Charles Soule... mas quem é Charles Soule?

Soule é um profissional da nova geração e já trabalhou para outras editoras, como Image e Marvel (onde atualmente dirige o título dos Inumanos). Um daqueles nomes que bate o cartão e cumpre as oito horas de trabalho sem grandes destaques. Em outras palavras, um B-Side, assim como o Monstro do Pântano.

Porém, esse escritor pouco conhecido fez uma parceria mágica com Jesús Saiz  e não hesito em dizer que essas 20 edições finais do Monstro do Pântano são melhores dos que a fase inicial do Snyder. O arco não deixa nada a desejar também em relação a consagrada fase do Moore.

Arrisco dizer que em alguns momentos, o tom mais leve e sem nuances da trama de Charles Soule lembram um blockbuster de verão e são um contra ponto excelente para o Monstro do Pântano ecologicamente correto do Alan Moore. Pode haver perda de nuances e profundidade, mas em contra partida o Monstro do Pântano voa com asas de bananeira, o que é um acréscimo a ser considerado.


O arco lembra muito também os esboços que um jovem autor inglês encaminhou para a editora DC antes de assumir Sandman e se tornar uma das figuras mais importantes da indústria do entretenimento. Ao escrever Orquídea Negra, Neil Gaiman desejava criar uma saga ecológica reestruturando toda a mitologia vegetal  UDC, algo bastante parecido com o segundo desenvolvimento que Charles Soule deu para os Reinos de Poder. Essa estrutura criada por Gaiman é descrita em Passeando com o Rei dos Sonhos (lançado aqui pela HQM Editora) e vale a pena correr atrás.

Nessa nova etapa do título, o Monstro do Pântano entra em conflito direto com o próprio Parlamento das Árvores, formado por antigos Avatares do Verde que perderam seu poder no mundo real, mas ainda sustentam enorme poder político. Uma dessa manobras envolve um antigo personagem do Monstro do Pântano. Jason Woodrue (a.k.a. Homem Florônico) é testado como um potencial substituto para a função de Avatar do Verde. Lady Ervas, uma antiga versão do Monstro do Pântano, volta ao mundo real e desejosa por retomar seu pode antigo.


Novos Reinos e Avatares aparecem, como o Reino do Fungo e o jovem Reino das Máquinas. Mas são os novos coadjuvantes que conduzem muito bem a história, personagens cativantes interessantes que agitam a trama.

E a arte? A arte de Jesús Saiz é salvadora, amém! Um traço mais conservador, contido, mas com personalidade. As fisionomias são diferenciáveis e a criatividade do texto de Soule permite ao artista criar variações fantásticas do Monstro do Pântano. 


Todo esses elogios rasgados são justificáveis. O Monstro sobreviveu à poda do universo Vertigo e não fez um papel feio ao ser enxertado do Universo DC pós reboot, interagindo muito bem não só com o lado sobrenatural mas também com medalhões como Superman ou Aquaman.

Todas essas pontas e subtramas são fechadas de maneira elegante no arco final, deixando a impressão que a série terminou um pouquinho cedo demais. Mas isso só reflete que essa foi uma ótima fase do Monstro do Pântano e que talvez tenha sido subestimado por grande parte dos leitores. Um dos poucos títulos atuais da DC Comics que é possível recomendar sem medo.


...

Vladimir Putin indicaria: O cafezinho no final daquela refeição. Uma dica saideira. No caso do Monstro do Pântano, recomendo ficar de olho na republicação da fase sagrada de Alan Moore (lançado aqui pela Panini). Deve estar no quarto volume, quando o mago de Northampton faz sua versão antediluviana da Crise nas Infinitas Terras. Para ler chorando.

Só para os REALMENTE fortes: Garimpe (com cuidado) o live action The Return od Swamp Thing (1989) um clássico trash com a presença magnânima de Heather Locklear encarnando uma Abby Arcane de primeira grandeza. 


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Dois One-Shots #1: Demissão Sumária & A Encomenda

Para começar a semana com o pé direito, faço questão que nossos leitores escapistas limpem suas papilas gustativas e apreciem essas duas suculentas entradas:

Tom Cochrane está frito!. Ele era o encarregado de uma operação criminosa no Bronx que há poucos instantes foi desbaratada por um “cidadão preocupado”. Segundo a polícia, estima-se que as armas apreendidas estejam avaliadas em alguns milhares de dólares. Cochrane trabalha há mais de vinte anos para o Senhor Fisk, um empresário nova-iorquino de reputação ilibada cujas recompensas aos êxitos dos funcionários são historicamente generosas. 
 Por outro lado, por exigir desses empregados um alto padrão de qualidade em seus serviços, Fisk não permite falhas e nem é conhecido por conceder segundas chances. Como dizíamos, Tom Cochrane está frito, frito porque o crime em questão pode conectá-lo ao Senhor Fisk e Fisk, reiteramos, embora seja um cidadão exemplar e reprove os atos do referido subordinado, não tem o hábito de pagar a usual multa de 40% sobre os depósitos do FGTS. Tão pouco tem processos se amontoando em varas trabalhistas.

Demissão Sumária, de Greg Rucka e Eduardo Risso¹, foi um conto publicado em Homem-Aranha #10 (Panini/2002) e, originalmente, em Spider-Man's Tangled Web² #4. Uma história de um tempo em que, aos olhos dos leitores – e, cá entre nós, admiravelmente transposto no Demolidor Netflixiano –, o Rei do Crime era 90% reputação, 10% fisicalidade.

¹ Rucka é de casa, não tenho nem mais superlativos para descrever o quão fã sou de sua produção; e Risso? Bom, o que dizer de meu argentino favorito? Demissão Sumária tem toda pinta e pompa de um interlúdio de 100 Balas, só que não.

² Tangled Web rendeu vinte e duas edições e tinha como proposta a veiculação de enredos fechados do universo aracnídeo por autores consagrados como, por exemplo, Brian Azzarello, Bruce Jones, Darwyn Cooke, Garth Ennis, Paul Pope, Peter Milligan, etc. Logo mais, certamente traremos outros para que possam degustá-los.
 A segunda entrada fica a cargo de Wolverine #30 (Panini/2007) e leva consigo não uma, mas duas excelentes histórias com o carcaju do título, ambas assinadas por Stuart Moore e C. P. Smith.

Em A Encomenda, a pedido de T’Challa, Logan é incumbido de extrair a todo custo um bebê de Zwartheid, África. O mesmo se justifica, pois, enquanto chefe do estado wakandano, o Pantera Negra está politicamente impedido de interferir na soberania das nações vizinhas. E, segundo o narrador-personagem, o Wolverine, o país em questão era classificado pela ONU como um dos piores lugares do globo em termos de qualidade de vida – com expectativa de vida de 37 anos – e um matadouro para as nações ocidentais, ante suas riquezas minerais. 

Há dez anos, entretanto, o Presidente Mayamba conseguiu pacificar as tribos em conflito e estabilizar a região. Um golpe de Estado o derrubou e estabeleceu na década seguinte um período de puro pesadelo. Guerras civis, milhares de crianças alistadas como soldados. Meninas e mulheres estupradas, infectadas com HIV de propósito. Seis meses atrás Mayamba ressurgiu e uma vez mais reiniciou o processo de paz, mantendo inclusive um diálogo aberto com os senhores da guerra e traficantes de diamante. A nova queda veio com um general chamado Lago.
 Assim, a esperança de paz do ex-presidente vai morrer a menos que um dia, a filha dele continue de onde o homem parou. A menos que Wolverine, como seu guardião, atravesse um ambiente descrito como hostil e paradoxal repleto de selva, matas fechadas e campos abertos; onde o caos é tamanho que o zunido de uma bala o confunde por mosquitos.
 Por fim, em A Cura, conto também assinado pelos autores supracitados, se atém as dolorosas etapas que o fator de cura tem de percorrer até que alcance sua regeneração total. Onze páginas geniais que questionariam, inclusive, a teoria de Grampá sobre o suposto vício de Logan em dor. 

Bom apetite. 
A seguir, os pratos principais dos Chefs Escapistas.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Seja numa palavra ou num olhar...


Filmes de terror e suspense sangrento têm estado fora do meu cardápio há um bom tempo.

No caso do suspense, o problema está na opção pelo torture porn que tomou conta do gênero, de uns quinze anos pra cá. O negócio é chocar as plateias - e tome detalhismo nauseante e eviscerações "criativas". Roteiro? Atuação? Pra quê, né? Vizinho/marido/amigo fofo que se revela psicopata, também, já encheu o saco. Então, eu passo longe.

Com o terror, é diferente. Muitas vezes, boas ideias acabam desperdiçadas, em prol de um deslumbramento por efeitos visuais que, ao invés de assustar, causam riso - ou, pior, sono. Um filme assim só me interessa se ele tem ao menos uma pitada de terror psicológico. Uma lenta descida rumo à perda da sanidade faz estragos muito maiores do que qualquer bichão criado em CGI.

No quesito "criação de clima", The Babadook, (Jennifer Kent, 2014) passa com louvor. Apesar de sofrer com a ruindade dramática do menino Noah Wiseman (a criança mais chata do cinema desde Jake Lloyd, o Anakin Skywalker de Star Wars: A Ameaça Fantasma), o filme tem na boa atuação da australiana Essie Davis um belo trunfo. Sua personagem, Amelia, é uma viúva que não consegue deixar o passado para trás e, por sentir-se culpada pela morte do marido, acaba mimando demais seu chatíssimo filho, Samuel. O menino diz ver monstros o tempo inteiro e seu hobby é construir armas caseiras. (Fosse eu essa mãe, um surdão no escutador de novela dava conta dessas fixações em dois tempos, mas, aí, não teríamos um filme, então, vamos lá...)

Certa noite, o menino (e Amelia odeia que se refiram a Samuel assim, mas ele merece) vai à estante escolher uma história pra que sua mãe leia e volta com um livrão vermelho nas mãos, chamado Senhor Babadook. É a história de um monstro que vive dentro do armário de uma casa e, uma vez que se instale, não é possível livrar-se dele. O livro começa naquela pegada do "amigo diferentão", mas conforme as páginas avançam, as ilustrações vão ficando cada vez mais apavorantes e a intenção do bicho cada vez mais clara. Vale um aplauso pra quem criou o livro do Babadook. É uma autêntico item de pesadelos (e o chilique de Samuel nessa hora me deu vontade de torcer seu pescocinho, e isso sem possessão do Babadook).

Mesmo combatendo a fixação do garoto, a mãe acaba duvidando de seu ceticismo (sic), quando, claro, o monstro começa a se manifestar. Aqui, a diretora Jennifer Kent faz tudo certinho, apelando muito mais ao sugerido do que ao mostrado. Sombras, rangidos, pancadas e uma voz pavorosa vão aos poucos minando a sanidade da pobre mãe - e criando um clima bastante adequado para um filme que, como todo bom terror, deve ser experimentado à noite, em silêncio total.

Apesar do bom desenvolvimento, o filme descamba para um final absolutamente bisonho, que confirma a escrita do livro do Senhor Babadook, mas que parece apressado e descabido. Se era tão fácil domar o bicho, pra quê todo aquele escarcéu? Talvez seja um pecado que não compromete demais a qualidade geral, mas perdeu-se a chance de criar um clássico indie das trevas. Mesmo assim, você pode não querer ir ao banheiro sozinho, depois de assistir a The Babadook. Vai por mim.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A Madrugada dos Caminhantes Brancos

Recomendado para leitores escapistas que já assistiram a Game of Thrones (S05E08).
Entre a miríade de questões que cercaram Game of Thrones antes da estreia de seu quinto ano, uma, contudo, foi o vértice de várias discussões, inclusive motivando reiterados temores reverenciais nas temporadas anteriores. Estamos falando do dia em que o cânone e o não canônico passariam a caminhar de mãos dadas – ou não. E esse dia chegou, e como nenhum outro, reservou a segunda metade de Durolar (Hardhome, S05E08) um dos momentos mais esperados por leitores ou espectadores: o ataque dos Caminhantes Brancos. 

Foram exatos trinta de minutos entre negociações acaloradas – ou gélidas – e a investida surpresa do exército dos mortos, no qual um recado ficou bastante claro para ambos as facções, isto é, personagens e audiência: de um lado, inimigos jurados ou não, Patrulha da Noite e Selvagens terão agora que juntar suas forças para que não tenham o mesmo destino dos caídos; do outro, dado o avanço mais célere dos arcos de histórias em relação aos pontos de vistas nos livros, chegou-se a ocasião em que a opção do original e adaptação não seria outra senão o meio-termo. 

Não que a versão audiovisual tenha sido até aqui o melhor exemplo de fidelidade irrestrita, pelo contrário, o que se tinha na realidade eram as redes de seguranças que o próprio George R. R. Martin já havia entrelaçado nas suas tessituras. Logo, no episódio dessa semana, o que ocorreu de mais marcante não foram os belos diálogos entre Tyrion e Daenerys ou, muito menos, o assalto dos Caminhantes Brancos, mas sim o salto corajoso dos showrunners, David Benioff e D. B. Weiss, sem as redes de segurança do autor-criador.

"Pode vir quente que eu estou ferv... deixa pra lá!"
 Afinal, se antes havia pequenos desvios nas trajetórias dos medalhões ou, vá lá, inserções pontuais de subtramas como, por exemplo, os dilemas eunucos de Verme Cinzento, agora o que existe é uma só história sendo contada, onde, pela primeira vez, ambos os seguimentos de fãs sabem exatamente a mesma coisa: um profundo e afrodisíaco nada.

Um nada que tornou a sequência do cerco dos mortos um momento tão surpreendente para quem o estava assistindo no sofá quanto para os Patrulheiros e Selvagens encurralados. E como se não bastasse, vencidos e em retirada, de baixo de baforadas criogênicas na espinha®, os aliados de ocasião testemunham a chacota suprema – reproduzida acima, na imagem que inaugura o texto. 

Acho que agora você sabe de alguma coisa, Jon Snow.
Fato é que, depois de Durolar, fiz minhas pazes com os Deuses Antigos, Os Sete, o Deus Afogado, Deus de Muitas Faces, R’hllor [...]. 

E que venha agora o – para sempre traumático – capítulo nove.

Grandes Momentos Byrne

5,5 páginas de total badassery na maior luta jamais vista.








Nem todo mundo curte. Eu acho futebol-arte.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A Vida de Clark

Sem desmerecer personagens e ideias numa retórica hater, mas o que se pode esperar de um seriado da Supergirl? Nada. E portanto, tudo.

Bom, assisti ao tal piloto. Os efeitos e as cenas de ação são acima da média para a telinha e Melissa Benoist ganha pontos pelo esforço e estamina, mas eu não recomendaria ainda.

O curioso mesmo - para nós aqui, leitores - foi ver a estratégia da Warner sobre a separação dos universos do cinema e das séries entrando em colapso total e gerando uma singularidade meio esquizofrênica.


É um pássaro? É um avião?

Pra mim parece o Nosso Senhor Jesus Cristo estampado na capa daquelas revistas das Testemunhas de Jeová.


Ou talvez seja o próprio Deus (Supergod, segundo os textos apócrifos do profeta Morrison), considerando que somos todos pecadores e, portanto, indignos de fitar a Sua face.

O que vai ser daqui pra frente não faço ideia, mas só por esse dilema gratuito eu faço questão de baixar pra ver.

Arrependei-vos, pois Apocalypse está próximo!

Tirando do Plástico #3

A maior parte desse material já nem estava mais no plástico ou nem mesmo veio em um. Com um lote de encomendas fazendo aniversário em algum lugar da Comix (ah, meu Capitão Britânia), quem sofreu foi a ordem de leitura.

Felizmente, tenho me deparado com agradáveis surpresas nessa jornada de parcial desMarvelização e desDCeização.


A Pixel Media segue com a inacreditável iniciativa de republicar as tiras clássicas do Fantasma do mestre Lee Falk e do sensacional desenhista Ray Moore. Enquanto meu exemplar da edição #3 vem da Comix de caravela com mapa de navegação do século XV, as duas primeiras edições, encomendadas semanas depois no ML por um preço quase justo (Bonelli HQ), já aportaram e foram devidamente degustadas.

As edições são caprichadas, com capa cartonada, papel couché e prefácios muito bons. O material, dos anos 30 e 40, é fascinante pelo valor histórico. Não só por registrar uma época em que o sexismo e a xenofobia batiam ponto nos comics, mas também por definir as bases essenciais para o arquétipo do nosso tão adorado vigilantismo mascarado quadrinhístico.

Além de serem aventuras pop/camp divertidíssimas, claro.


Outra pilhagem das boas que a Pixel fez nos arquivos da King Features Syndicate (também a licenciadora do Espírito que Anda). Desta vez foi a cria máxima do fanfarrão Dik Browne. O Livro de Ouro de Hagar, o Horrível é de um humor tão surreal e nonsense que parece ter sido escrito pelo pessoal do Monty Python de porre em alguma taverna. Ri alto com esse encadernado.

A compilação Franklin Richards - Filho de um Gênio foi bola dentro da Panini. Hesitei um pouco antes de solicitar, mas uma breve conferida no material por vias, digamos, alternativas, acabou com qualquer dúvida. O trampo da dupla Marc Sumerak e Chris Eliopoulos é cativante e praticamente reinventa esse gurizinho que nunca envelhece. A maior referência é, claro, Calvin & Hobbes, mas Franklin & H.E.R.B.I.E. têm vida própria e, melhor ainda, um laboratório do impossível à disposição.

Ah, e o acabamento é lindão.


Há eras afastado dos quadrinhos Disney, uma convergência de fatores (e sons e visões...) andou me arrastando de volta com tentáculos lovecraftianos. Meu fraco pelos Patos foi a minha perdição. Primeiro foi a edição de nº 2.442 (!!) da revista Pato Donald, com a chamada "o destino da mãe de Huguinho, Zezinho e Luisinho!" - algo que eu queria saber desde que tinha 4 anos de idade! Aí é covardia. O nome da história não poderia ser mais Manoel Carlos: "Laços de Família". E sim, é emocionante... De bônus, reservaram um belo artigo sobre os criadores.

Já Pato Donald Especial, uma antologia de obras de Carl Barks lançado pela Editora Abril em 1975, era algo que jazia em minhas lembranças infantis mais longevas. Redescobri por um feliz acaso, já que uma das histórias consta no luxuoso tomo Os 80 Anos do Pato Donald, lançado há pouco pela Abril. Daí pra promover uma caça ao Pato no Mercado Livre foi um pulo. E o acaso mais uma vez colaborou (2 in a row!), com uma edição em um incrível bom estado de conservação por um valor sensato.

O livro tem proporções generosas (21 x 27) e é precursor do formato encadernado no Brasil - salvo engano, houve apenas outro TP Disney anterior. Na minha coleção por ordem autobiográfica, esse livro agora passeia pelos primeiros lugares tranquilo. Desde a introdução até as histórias per se, a experiência tem sido xamânica, totêmica...


Ainda não tirei nenhuma dessas duas do plástico, mas tenho expectativas altas para a continuidade do John Constantine de Garth Ennis e Steve Dillon (bravo, Panini!) e mais altas ainda para Os Livros do Destino - embora este aliado a uma notinha de ceticismo.

Acho o Victor o maior e mais complexo vilão da Marvel, com um potencial inúmeras vezes desperdiçado pela editora, e tenho o maior respeito pelo Ed Brubaker (e quem não tem?). Mas não é sempre que leio preciosidades como "Máscaras" ou "Triunfo & Tormento".

Quase nunca, aliás.


Antes de tudo, é admirável como a Mythos Editora levou a justiça ao Juiz Dredd no Brasil. Com um título regular que já está na 22ª edição, uma seleção matadora de histórias e TPs com qualidade deluxe, a editora tem consolidado a invasão britânica da 2000AD por estas bandas. E os leitores também têm sua parte no sucesso, já que isso é resultado da fidelização desse público.

Juiz Dredd: Ano Um é o filme que nunca foi feito do "herói". Poderia ser o prequel do ótimo longa que o Alex Garland produziu em 2012. Clima no future opressivo e ultraviolento muito bem construído pelo roteiro de Matt Smith e pelos desenhos de Simon Coleby, cujo estilo é um meio-termo entre Jae Lee e o carinha de ZDM. Infelizmente, não é em capa dura - um crime com a fantástica arte de Greg Staples. Entendo que o preço já estava inflacionado pelo bacanudo chaveiro que vem de brinde (e é bem bacanudo mesmo), mas já que estamos no inferno, abraçemos o capeta, bebamos do seu vinho, de suas caixas de Sul Americana, etc. Pelo menos o TP traz a galeria de capas da mini original lançada pela IDW.

Em Juiz Dredd: Mandroide temos o bom Juiz às voltas com um cyber-Frank Castle MAX, cujo nome civil já dá uma pista do quilate do sujeito: Nate Slaughterhouse. Ainda não li e tenho medo de levar um Hi-Ex na cara assim que tirar o plástico.


Mustaine - Memórias do Heavy Metal (Ed. Benvirá) acaba sendo um título limitante, já que a autobio de Dave Mustaine pode interessar até quem não curte heavy metal - ou, especificamente, thrash metal, sua área de atuação. Vindo de família pobre, disfuncional e com pai alcóolatra, não seria surpresa se acabasse como o típico white trash reacionário e racista enfurnado num trailer. Mas acabou virando o cara à frente do Megadeth, a banda mais bem-sucedida do gênero... depois do Metallica. Ah, o Metallica...

Mustaine foi expulso do grupo ainda em seus primórdios de forma humilhante e isso é esmiuçado em detalhes estarrecedores no livro. O Metallica paira como uma nuvem escura durante toda a leitura, mostrando o tamanho do estrago que fizeram no Id do sujeito. Entre bandas, músicos, empresários, gravadoras, ex-mulheres, satanismo, evangélicos, traficantes e clínicas de rehab, Mustaine abraça e detona meio mundo, mas seu alvo preferencial é ele mesmo.

O tom é franco e confessional. A fama de sujeito difícil, arrogante, egocêntrico e patologicamente obcecado por sua ex-banda é endossado por ele inúmeras vezes ao longo do livro. Mas nunca de forma glamourosa ou autopiedosa e sim como um instantâneo de uma alma que precisa melhorar e muito. Igual à de qualquer outro.

De bônus, Mustaine ainda destrincha para os civis o funcionamento de várias engrenagens internas do showbiz. Os caras não prestam.

Devorei as 360 páginas em uma semana.

Um Novo Escapista!

Por onde começar? Ou recomeçar?

Se você acompanha meus tweets, deve ter percebido uma ligeira decepção com o posicionamento atual da indústria dos quadrinhos, principalmente as manobras puramente corporativa das duas majors, a DC Entertainment e a Marvel (que poderia muito bem se chamar Marvel Movies e otras cositas más), mas quero começar de forma positiva. Quem sabe “voltar para épocas mais simples, com armas mais elegantes...”

Não , não vou puxar meu lightsaber (ainda não). Ao invés disso, vou falar sobre um livro fantástico que aborda o início da Indústria dos Quadrinhos. Estou falando de As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay, do escritor Michael Chabon. Um resgate da criação do gênero fantasia de poder, no inicio do século XX.



Cabe aqui um breve parêntesis: (essa Era de Ouro nem era tão dourada assim, basta ler Homens do Amanhã, outro petardo em forma de livro). Fecha parêntesis. Mesmo assim, Michael Chabon consegue criar uma ficção cativante que retrata muito bem não só a origem mercadológica dos comics  de heróis, mas principalmente o processo de criação que esses homens comuns misturaram para compor o Mito Moderno.



Essa é a parte mais interessante do livro: a forma como o talentoso Joe Kavalier e o primo antenado Sam Clay combinam suas origens, formações, sonhos, anseios e traumas  para criar o personagem Escapista. E, semelhante a lenda do Golem (tão importante para a trama), a criatura Escapista ganha vida própria fugindo da impressão barata dos quadrinhos para um programa de rádio típico dos anos 50. É a concretização dos desejos mais secretos dos criadores, em mais de um sentido.

A história termina nos anos 50, mas é bem possível visualizar a progressão do Escapista, quem sabe uma adaptação cinematográfica ou com sorte, uma respeitável série na Netflix. Sonhar não custa nada.

Michael Chabon cria uma história uma história fantástica - ganhadora do prêmio Pulitzer de 2001 na categoria Melhor Romance - ao retratar de forma muito mais palatável a mesma realidade descrita em Homens do Amanhã e Marvel Comics - A História Secreta.






Mais do que isso, As Incríveis Aventuras de Kavalier e Clay exemplifica a teoria do Superconceito de Grant Morrison. Em Superdeuses, Morrison diz que antes da criação do Super-Homem havia a ideia do Super-Homem. E que antes da bomba atômica havia o conceito primordial da bomba atômica. E a maior força do Super-Homem está nessa ideia: o conceito primordial do Super-Homem é muito mais forte que a ideia da bomba atômica.

É esse conceito de poder que ainda me seduz e que eu acredito que nenhuma decisão editorial calcada só em cifras financeiras consegue ou conseguirá destruir.

Kavalier & Clay. Ou Siegel & Shuster. Eles também acreditavam nisso.


...

Vladimir Putin indicaria: um pequeno arremate que quero deixar em cada post. O cafezinho no final daquela refeição. A bola da vez é a versão quadrinizada dos personagens criados por Kavalier e Clay. Vale a pena procurar os dois volumes reunindo grandes nomes dos quadrinhos como Howard Chaykin, Bill Sienkiewicz, Marv Wolfman, BKV, Gene Colan, etc. Espere os Obamas baixarem e importe sua edição.



terça-feira, 2 de junho de 2015

De Bandeja

Em um país em que se institucionalizou que a meritocracia é só mais um sinônimo bonitinho para política de cotas ou concursos públicos, uma tirinha como a do cartunista australiano Toby Morris pode ser bem indigesta, demonstrando por A+Z que não é bem assim que a banda (desenhada) toca. 

No fim, quem sempre esteve certo foi o meu guru espiritual da Filadélfia:


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Piada Pronta

Há alguns dias, quando vi esse título mensal nas solicitações de pré-venda da Liga HQ, no meu âmago, cogitei essa possibilidade estapafúrdia de que a famigerada Multiversidade, de Grant Morrison, sairia como carro-chefe do mesmo. A solução da Panini me lembrou o destino – bastante criticado à época – que deram a minissérie Legião dos Três Mundos, de Geoff Johns e George Pérez. Isto é, em vez de ser publicada de forma compilada tal como os demais especiais da Crise Final, ela saiu na finada Superman/Batman (#52-56). No raciocínio do editorial, provavelmente, tal medida certamente deveria ter alavancado as vendas daquela revista mensal. Ledo engano, o último capítulo da minissérie (#5) foi reproduzido na edição #56 e, coincidência ou não, também foi o derradeiro número da série. 

Já o caso de Multiversidade me parece ligeiramente distinto, afinal, trata-se de uma alardeada minissérie com pinta de blockbuster veranista, que normalmente é lançado por essas bandas, pelo menos, com o formato minissérie mensal impressa em papel LWC. E, claro, estamos falando de Grant Morrison, um autor privilegiado em matéria de lançamentos na filial tupiniquim dessa editora italiana. Logo, relegá-lo ao status de boi de piranha para salvar dois ou três títulos capengas N52, é algo que está muito aquém do suporte vital que minhas 50mg diárias de Losartana Potássica me salvaguardam. 

Resumo da ópera¹: sou obediente aos comandos metalinguísticos do autor e desta página não virarei →
 ¹Vou orar ao Deus Afogado para que o eventual HC não demore tanto.

“Um ou dois pés a menos”

No canto inferior direito da quarta capa de One Shooter¹, tal como fez nos álbuns do Necronauta, Danilo Beyruth utiliza novamente a simpática placa de sinalização do leitor no vaso sanitário. Bom, dessa vez eu acho que ele superestimou demais o tempo. Vinte minutos? Que nada, essa publicação independente é uma iguaria gourmet que tu saboreias em menos de cinco. 

Do que se trata? Com a palavra o próprio Senhor Beyruth: 

“Nove HQs curtas com um único denominador em comum. Histórias que surgem daquele tipo de idéia idiota que geralmente morre na mesa de um bar, sem nunca serem produzidas. Em resumo, um trabalho despretensioso que, espero, seja tão divertido de ler quanto foi de fazer.” 

[E como foi, Danilo!]

Carcarju Blues, reproduzida logo acima, é a sétima historieta e já nasce com envergadura de clássico instantâneo do Wolverine. Quer dizer, um Wolverine de tempos menos “pasteurizados”. Um Wolverine como o da minissérie oitentista, Fusão, de Walter e Louise Simonsen, Kent Williams e Jon J. Muth.
 Uma história que deveria ser a prima donna das referências para se construir um roteiro decente para o personagem e, muito provavelmente, minha campeã mundial de releituras. Em meio a muita tequila, apostas e guerra fria, narra-se as conturbadas férias de Logan e Alex Summers no México com um elenco impossível – leia-se, “dos sonhos”! - com “James Dean” interpretando Alex e “Robert De Niro”, o Logan. 

[Um desafio aos leitores escapistas: se vós topares com um Wolverine mais visceral que este, e me convencer disso, juro lhes que presenteio o felizardo com essas quatro revistas!]
 Ah, e já que o Senhor Beyruth falou em mesa de bar: algumas delas podem ser avistadas no ar na mais impagável de todas as brigas de bar²! 

¹ O único sujeito que conheço que está vendendo exemplares de One Shooter é o meu velho amigo da Comic House, em João Pessoa, o Manassés.
² O transcurso do tempo me fez crer que esse Logan só mantinha esse laço de “amizade” com Alex, o Destrutor, para aporrinhar o irmão dele.

domingo, 31 de maio de 2015

Tirando do Plástico #2

Atendendo à convocação feito pelo Escapista Luiz, apresento aqui minhas últimas aquisições para esta segunda edição do Tirando do Plástico.




Junto com o Fábulas 20 que resenhei há algumas semanas, recebi num pacote da Liga HQ o sétimo volume de O Inescrito. Minha leitura da série, cujo último volume públicado foi o de número 10 (um crossover com Fábulas que estou louco para ler), está atrasada, devido a um problema que atrasou o lançamento do quarto volume nas praças setorizadas em quase um ano. Agora em junho, devo adquirir os três volumes que me faltam.

Sobre Tommy Taylor e a Guerra de Palavras - Parte 1.5, é um interlúdio com edições especiais que promovem uma pausa na saga de Tom/Tommy, mostrando aparições, em diferentes momentos da história, de Pullman e outros personagens da saga (alguns deles bem mais antigos do que se pensa). Este não é um volume oficial da coleção original, mas lançá-lo foi uma boa iniciativa da Panini - e é sempre bom ver mais capas desenhadas por Yuko Shimizu.




Minha cota de títulos mensais caiu drasticamente. Hoje em dia, só insisto em Batman e Liga da Justiça.

A primeira, porque está numa das melhores fases deste século, com Scott Snyder e Greg Capullo escrevendo seus nomes a ferro e fogo na história do Morcego. O longo Ano Zero foi qualquer coisa de sensacional. A escrita de Francis Manapul e Brian Buccellato em Detective Comics, segunda metade da revista, é digna e não compromete, mas prefiro o Manapul ilustrador ao escritor.

A revista da Liga ainda tem minha simpatia por causa da série principal. Apesar da leveza reinante e da sensação de leitura-pipoca, é divertida e Geoff Johns sempre tem desenhistas decentes ao seu dispor (quem comanda os lápis agora é Doug Mahnke, um de meus favoritos da "segunda divisão"). Liga da Justiça Unida, de Jeff Lemire, carece de brilho. Não é dos momentos mais inspirados de Lemire e tem o genérico Mike McKonne nos desenhos. Aquele tipo de HQ que faz a gente dizer "nhé, legalzinho" e nada mais.




Os especiais desta semana foram Batman Eterno 16 e Fim dos Tempos 1.

A longa (52 edições) bat-saga é bem bacana, apesar de alguns capítulos bisonhos (o que foi aquela edição 11, hein?). A nova dinâmica da relação entre a polícia de Gotham e o Batman, com Jason Bard no lugar do aprisionado Gordon, já teve belos momentos aqui.

Fim dos Tempos, apesar da temática de volta ao passado para mudar o futuro, não parece ter chegado para promover reboot de qualquer tipo. O futuro foi dominado pelo Irmão Olho e o passado ao qual Terry McGinnis volta está cinco anos à frente da atual cronologia. Por isso, ninguém vai dar importância à morte de qualquer herói - e um figurão já bate as botas nesta edição. Comparando ao circo, é como trapézio sem salto triplo e com rede de segurança. Safadinha, essa DC.




Com o fenômeno Vingadores varrendo o planeta pela segunda vez, a Rolling Stone Brasil de maio meteu o Hulk em sua capa - e ficou muito bacana! Agora em tamanho padrão, a RS resistiu às previsões mais pessimistas desde seu lançamento. Segue firme, forte e interessante, enquanto a segunda encarnação da Bizz e a Billboard Brasil já bateram as botas.

Eu já tinha visto Círculo de Fogo duas vezes: uma no cinema (em maravilhoso 3D), outra em blu-ray alugado. Baratinho que estava nas Americanas (R$ 29,90), não resisti a ter o filmaço na prateleira.




Por fim, tirei da caixa e do plástico o aparelho que fez estas fotos, um Moto X. Até a semana passada, eu portava um Moto G que me atendia perfeitamente, mas uma quedinha besta rachou a tela de cima abaixo. Enquanto a sensibilidade não era afetada, usei-o enquanto podia, mas quando passei a perder ligações importantes que não conseguia atender ou sofrer pra digitar qualquer palavra no WhatsApp, tive que correr pra pegar um celular funcional. Estava em promoção e a diferença nas parcelas, em relação ao Moto G, era pequena, por isso o upgrade.

Nota de falecimento: hoje, uma prateleira de meu armário de HQs desabou. Desalojadas, minhas crianças choram. Acho que vou ter que tirar um armário do plástico em breve.

Dogg, passo a bola!

sábado, 30 de maio de 2015

Tirando do Plástico #1

A ideia por trás do “Tirando do Plástico” foi surrupiada dos unboxings – que, bem ou mal, são uma verdadeira febre na rede – e tem o escopo de apresentar aos leitores nossas últimas aquisições e primeiras impressões sobre livros, quadrinhos, colecionáveis, gadgets, CDs, DVDs, Blurays, etc. Enfim, tudo aquilo que desembolsamos alguns Dilma$ ou, vá lá, usucapimos quando ninguém estava olhando. 

“2x10!”, por Sam Hart e Will; 
“One Shooter”, por Danilo Beyruth: 

Trata-se de dois fanzines e acabo de recebê-los pelo correio, uma cortesia do Reginaldo Yeoman, um irmão de armas do extinto e saudoso Blogzine, mas, felizmente, ainda tão presente nas esquinas da internet quanto no passado. O primeiro material, 2x10!, foi um projeto conjunto dos artistas Sam Hart e Will que alcançou êxito em sua campanha no Catarse; o segundo, o One Shooter, do badaladíssimo Danilo Beyruth (Necronauta, Bando de Dois, Astronauta), é uma coletânea de oito contos em vinte e quatro páginas, cuja leitura se concretizará daqui a exatos quinze minutos. Ambos foram lançados na Comic Con Experience (CCXP 2014). 

“Cavaleiro da Lua: Recomeço #2", por Brian Bendis e Alex Maleev; 
“Quarteto Fantástico: Imaginautas”, por Mark Waid e Mike Wieringo: 
 Já faz um algum tempo que o texto de Brian Bendis não me é tão palatável quanto outrora, mas quando a gororoba tem o tempero búlgaro de Alex Maleev, sem chance de não rolar uma degustação. E não é que estava errado? Digo, a arte do Alex continua sublime, me refiro ao roteiro do Brian, que utiliza a esquizofrenia de Mark Spector como um interessante recurso narrativo, sobretudo com as três personas que vivem atormentando o Cavaleiro da Lua. 

Antes de tudo, tome isso como um favor pessoal aos Escapistas: compre seu “Quarteto Fantástico: Imaginautas”, se possível, dois! Se não gostas da equipe, tudo bem, até posso viver com isso, mas estamos falando de Mark “Reino do Amanhã/Demolidor” Waid e isso deveria ser o bastante para você gastar o troco do pão nesse encadernado e garantir que a Panini vá até o fim nessa publicação¹. Isto é, num universo perfeito, seriam seis volumes. Portanto, conto com vocês! 

¹ A Salvat lançou recentemente a sequência desse TPB em HC, “Quarteto Fantástico: Inconcebível”, contudo espero que eventualmente a Panini publique sua própria versão, até para fins de padronização. Sei o que você está pensando: “Vai sonhando, Luwig!” 

“Justiceiro #5: Dispensado da Missão”, por Ben Acker, Ben Blacker e Carlos Barberi; 

“O Mundo de Aisha”, por Ugo Bertotti e Agnes Montanari; 
“A Saga do Monstro do Pântano #4”, por Alan Moore, Stephen Bissette, Rick Veitch e John Totleben: 
 Caí no conto do vigário nessa edição #5 do Justiceiro. Comprei na pré-venda sem saber qualquer informação acerca do conteúdo, pensando que fosse o início da fase de Nathan Edmondson. Ledo engano, na verdade se trata de um encadernado dos Thunderbolts (#27-32) em sua formação mais absurda: Frank, Elektra, Motoqueiro Fantasma, Hulk Vermelho e Deadpool. 

Tão logo coloquei minhas mãos em O Mundo de Aisha, já fui iniciando sua leitura. E mesmo sem chegar até o final, garanto lhes que é coisa finíssima. Trata-se de um mix de fotodocumentário e quadrinho – tal como O Fotógrafo de Emmanuel Guibert – que pega emprestado a estrutura de contos para narrar a história verídica de Aisha, Houssen, Ghada, Ouda, Fatin e outras mulheres iemenitas que insurgem silenciosamente contra a cultura conservadora de seu país. Assim que finalizá-lo, farei uma resenha específica no P.E.M. 

Polêmicas pisa-britescas à parte, eis que já vamos na quarta marcha dessa Saga do Monstro do Pântano. Eu que não sou bobo nem nada, tão logo engatei essa última, já fui logo passando a quinta (de seis) numa pré-venda aí da vida. Antevendo o melhor cenário, acredito que até janeiro de 2016 estaremos com o Graal completinho e fazendo inveja aos paspalhos que se submeterão as tortura$ dos Mercenários Livres. 

"Coleção Histórica Marvel: Os Vingadores #5", por Vários: 
 Essas Coleções Históricas Marvel vieram para ficar. Compilações sem firulas de períodos clássicos do Universo 616, com preços acessíveis e boxes práticos que são uma verdadeira mão na roda na hora de organizar a estante. É bem verdade que esses estojos não são exatamente unanimidades, mas pessoalmente, venho gostando não apenas desses, mas também encomendando por fora alguns outros – projetados pelo Nailton e o Erick. 

No que diz respeito aos números compilados no fascículo, à primeira folheada, não há dúvidas que o conto mais emblemático é exatamente o que ostenta a capa. Isto é, a surrealíssima passagem de Victor Von Doom e Tony Stark por Camelot, lisergicamente imaginada por Bob Layton, David Micheline e John Romita Jr, que, felizmente não foi esquecida e teve lá sua bela moral da história reproduzida em alto e bom som naquela inesquecível Confissão. 

Por fim, para encerrar essa transmissão, gostaria de convidar os Escapistas Dogg e Marlo para que tirem também os plásticos de suas aquisições. 

É isso! Desliguem, leiam quadrinhos. E se beberem, não esqueçam as drogas!