segunda-feira, 18 de maio de 2015

Sobrevida

A edição mais recente de The Walking Dead, a #141, serviu para reforçar uma convicção que, no âmago, já vinha mantendo desde antes da centésima edição: a história acabou, mas Robert Kirkman parece desconhecer esse fato. Quer dizer, se TWD era, como proferiu o autor lá atrás, em Dias Passados (#1-6), uma narrativa sobre os anos de vida de Rick Grimes num cenário de apocalipse zumbi, sinto que agora falta ao roteirista a mesma desenvoltura e desapego com que outrora empunhava sua foice para limar óbices a continuidade criativa da série.

Para encurtar a conversa, Rick já cumpriu seu papel naquele universo e tal como incontáveis personagens queridos que ficaram para trás, já poderia - e deveria! - ter encontrado um destino similar, encerrando, por que não, essa série que, reitero, era sobre ele. Mas, claro, o ideal seria que fosse dado a Carl a chance de seguir de onde o pai dele parou. Logo, não houve momento mais oportuno de eliminar Rick dessa equação antivida do que aquele quando o mesmo impediu o filho de executar Negan. 
 Nesse mundo perfeito, Negan se ergueria sorrateiramente daquela maca e destroçaria a jugular de Rick com os próprios dentes; atônito e com o único olho prestes a libertar a última lágrima que derramaria até o fim de sua vida, Carl descarregaria o pente de sua pistola, crivando de balas aquele sorriso rubro e medonho do líder dos Salvadores. Fim!
 Por outro lado, no mundo real, mesmo com o desgaste¹ do protagonista, de cliffhanger em cliffhanger, a série ainda instila minha curiosidade e estaria mentindo se dissesse que as novas dinâmicas, nascidas após o gap entre o desfecho de Guerra Total (#126) e os primórdios de Um Novo Começo (#127), são desinteressantes. Pelo contrário, o alvorecer da sociedade parece justo e Rick, finalmente no controle de suas emoções, parece sensato e verossímil, inclusive, mantendo Negan vivo e saudável em uma cela, a contragosto tanto da comunidade de Alexandria quanto da Colina e do Reino. 

Aliás, é possível que até os próprios leitores não vejam com bons olhos a presente medida, o que justificaria, em tese, esse diálogo com Andrea, soando bastante como uma espécie de "autoanálise metalinguística" de Kirkman – ou, vá lá, como Deanna Monroe do seriado.
 Meu problema, contudo, é que, uma discussão infrutífera como essa já deveria ter sido superada e sua manutenção a se perder de vista, visivelmente atravanca não só o ritmo do título quanto às demais frentes que ainda funcionam como, por exemplo, a dinâmica de Maggie como liderança na Colina, a ameaça dos Sussurradores ou os hormônios em combustão, autorizando Carl a cometer as primeiras tolices de um adolescente apaixonado. 

¹ Outra constatação: parece que Kirkman também não sabe mais o que fazer com Michonne.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

"O mundo precisa de homens maus para manter os outros homens maus longe"

Pouco importa o formato longa-metragem, seriado ou minissérie (antologia), em 2014, o debute de True Detective, de Nic Pizzolatto, foi a melhor coisa que atravessou minhas córneas e, independente, do que os jurados coroaram nas últimas edições do Emmy ou Globo de Ouro, a dupla de protagonistas formada pelos Detetives Rust Cohle e Martin Hart, vividos respectivamente por Matthew McConaughey e Woody Harrelson, já é Patrimônio Cultural da Humanidade. 

Rust Cohle, então, é um poeta, dono das divagações filosófico-existencialistas¹ mais irascíveis desde, sei lá, Sartre? E há quem diga que “é tudo culpa de Alan Moore e Grant Morrison”. E quem seria eu para discordar? Fato é que, no próximo dia 21 de junho estreará na HBO a segunda turma de autênticos detetives e, a julgar pelo clipe mais recente, parece que não deverá deixar nada a desejar em relação àquela primeira. 


A narrativa se debruçará nas investigações efetuadas por três investigadores em torno do assassinato de um político com conexões com uma empresa de transporte. Tal como a pioneira, a nova antologia terá também oito capítulos e contará com Colin Farrell, Vince Vaughn, Rachel McAdams e Taylor Kitsch. 

¹ “Somos coisas que operam sob a ilusão de ter um eu-próprio, essa acreção de experiência sensorial, e fomos programados para pensar que somos alguém quando, na verdade, todos são ninguém. A coisa mais honrável para nossa espécie é negar nossa programação. Parar de se reproduzir. Caminhar, de mãos dadas, até a extinção, uma última meia-noite, irmãos e irmãs deixando tudo para trás.”

Quando o amor deixou a cidade... =(

Deve ser algum tipo de coincidência cósmica que B.B. King parta deste mundo na mesma noite em que o U2 inicia a turnê do álbum Songs of Innocence. Há 27 anos, no auge do estrelato trazido pelo álbum The Joshua Tree, os irlandeses apresentaram B.B. aos seus fãs, ao compor para ele e convidá-lo a tocar e cantar em "When Love Comes to Town", faixa que integrou o álbum seguinte, Rattle and Hum. 

Se existe uma imagem que sintetiza o nome da nova turnê do U2, Innocence + Experience, ela está neste vídeo, a 1:30, quando B.B., o experiente, ensaia com a banda e diz que não saberá o que fazer quando estiver no palco. Bono, o inocente, ainda se dá ao trabalho de perguntar se ele está brincando! É claro que estava. Pouca gente era tão segura do que fazer quanto B.B. King com uma Lucille (como batizava suas guitarras) nas mãos. No fim das contas, talvez toda essa chuva de hoje seja o universo chorando porque B.B. King nos deixou.

 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Queda do Bat-Mirim

Não adianta se iludir ou insurgir-se contra a própria intuição, as coisas costumam ser o que são e o primeiro ano de Gotham, para alegria do patrão, foi a Meca das boas intenções. Caóticos e desprovidos de uma estrutura narrativa sólida, a impressão que persiste ao fim desses intermináveis vinte e dois capítulos, é que tanto o showrunner, Bruno Heller, quanto os demais colaboradores tinham apenas conhecimentos sinópticos acerca daquele universo. 

Algo que, por sinal, não deveria ocorrer entre equipes criativas que estivessem à frente da mitologia gothamita, seja nos quadrinhos ou em adaptações live-action. Fato é que, aos meus olhos, se esse conhecimento de causa já parecia parco, no season finale o copo transbordou ao testemunhar a opção amadora e precipitada ao destino original que eventualmente teria o personagem Sal Maroni. 
 Um desserviço à construção histórico-cultural de dois personagens clássicos que só não foi pior que o conferido ao tacanho argumento de que os Wayne teriam sido vítimas de queima de arquivo. Aliás, uma proposição dessa natureza vai de encontro com o próprio gatilho psíquico que motivaria a sina de Bruce. Quer dizer, o aleatório e o despropósito do crime de Joe Chill é algo que nunca poderia ser racionalizado e passível de encerramento; por outro lado, o que ocorre na série Gotham, sim. 

Contudo, mesmo graves, não foram esses dois pontos que sabotaram a consistência do programa. Credito isso a cacofonia de tramas e subtramas mal resolvidas do que me parece ser agora o mais novo enigma da medicina: um transtorno coletivo de déficit de atenção e hiperatividade do núcleo criativo de Gotham. Sobre isso, vamos lá:
 Renee Montoya e Crispus Allen → Personagens que questionaram a idoneidade de Jim Gordon e que, aparentemente, desempenhariam papéis cruciais no combate a corrupção do Departamento, foram descartados tão logo o futuro Comissário fora inocentado. Uma pena, eles poderiam ter catalisado boas subtramas e aliviado a carga procedural do show, mas, olhando para os parceiros em retrospectiva, parece que eles deram o ar da graça apenas para reafirmar a homossexualidade de Montoya. O que, devo dizer, foi lamentável, haja vista que os dilemas da personagem nos quadrinhos sobrepujam as questões de gênero.
 Leslie Thompkins & Jim Gordon → A função da médica no original não poderia ser mais clara: ela era colega de profissão de Thomas Wayne; fez o primeiro atendimento de Bruce após o incidente no Beco do Crime; e, se muito, teve um flerte com Alfred. Frise-se: Alfred! Corrijam-me se estiver equivocado, a Dra. Thompkins nunca interagiu significativamente com Gordon e isso não quer dizer que poderiam num âmbito live-action, mas colocá-los como par romântico? Perdão, amigos, mas não dá; o que daria era ter colocado o Jim em rota de colisão com Sarah Essen, isso sim. Todos ganhariam: tons cinzentos para o personagem de Ben McKenzie; e Barbara Kean, que se grávida, e, quem sabe, manipulada numa manobra corajosa de inversão de papéis como a Martha Wayne de Brian Azzarello e Eduardo Riso em Cavaleiro da Vingança, seria algo, digamos, catártico. Algo, portanto, mais do feitio de uma Netflix, e não de uma Fox. 
 Arkham & Jogos de Guerra → Sugeriu-se que haveria uma disputa imobiliária entre mafiosos e a própria Wayne Enterprises sobre o controle do entorno do asilo, o que, segundo o Pinguim, resultaria em uma guerra de facções criminosas que deixaria a cidade em ruínas. Eu não vi. Vocês viram? No mais, perdeu-se a oportunidade uma bela oportunidade de adaptar uma das melhores sagas da história recente do Batman: Jogos de Guerra. “Mas como?”, vocês me perguntam: bastaria ter colocado Gordon no papel do vigilante, minando a autoridade de Loeb na polícia e deixado Roman Sionis fazer suas jogadas. Resultado: season finale perfeito, com Gordon de joelhos sobre um mar de corpos, tanto de oficiais que compraram sua briga quanto marginais de ambos os lados pegos no fogo cruzado. 
 Gostaria de dizer em minha defesa que não sou tão chato assim, afinal, gostei do apuro técnico, a ambientação e, vá lá, a violência, empregada num limite bem próximo do correto; também me surpreendi com o desempenho de Nigma como CSI e alívio cômico, muito embora tivesse preferido o personagem um pouco menos afetado; a ideia supersticiosa por trás dos bandidos de quinta que embuçavam o Capuz Vermelho; e de Donal Logue, que nasceu para dar vida ao Detetive Bullock. 


Ainda assim, sou hipertenso, e receio que a experiência foi traumática demais para o meu pobre coração quiróptero, deixando na lona qualquer expectativa de retorno para o já confirmado segundo ano. Do mesmo modo, temo também que, caso o casting de roteiristas não passe a destinar algum tempo nos arquivos da DC Comics, é muito provável que a concorrência¹ do horário no vídeo supra, abocanhe a fatia do público que autoriza sua manutenção na grade. Para fechar a fatura, esperava mais de Bruno Heller, afinal, suas credenciais eram impecáveis, mas até aí, as de Martin Campbell também eram e deu no que deu. 

¹ Só na DC entertainment uma sandices dessas é possível: dois universos nativos da mesma casa, disputando entre si?!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Bons e velhos Novos Mutantes

Então... Não sei o que esperar do filme dos Novos Mutantes recém-anunciado pela Fox sob o comando do diretor de A Culpa é das Estrelas (só li o livro... snif). Mas bem que a Panini podia se empolgar e providenciar já um volume encadernado desses mutuninhas na antológica fase Chris Claremont/Bill Sienkiewicz...


Por favor?

Café, quadrinhos & rock and roll


Antigamente era mais fácil ler gibis. Ou parecia. Ultimamente, por perrengues logísticos (falta de espaço!) e de ambientação (luz demais, luz de menos!) ando tentanto algumas alternativas à manjada tríade sofá, HQ & TV ligada pra ninguém. E redescobri alguns velhos hábitos. Café é acompanhamento desde sempre, mas fazia tempo que não jogava a tal da música na equação. Ao contrário da TV, que implora para ser ignorada, música é algo muito pessoal e relativo.

Certamente por alguma má combinação feita no passado, generalizei que ouvir música minava a atenção da leitura. Mas dia desses uma alquimia acidental me botou nos trilhos da satisfação intermídia.

Comecei a ciscar o encadernado de iZombie... sacumé, pra conferir numa boa a série adaptada pelo canal The CW... e o disco Floodland, do grupo inglês The Sisters of Mercy, rolava baixinho na vitrola (também conhecido como Winamp). Saquei logo que ambos tinham muito em comum.

Tanto a HQ do sr. Allred quanto o elepê dos Amigos de Andrew Eldritch têm um forte clima B oitentista e humor negro de festa de Halloween.


Deu barato. Devorei a revista como se fosse o mais esfomeado dos zumbis.

Ontem, repeti a receita, um tanto menos espontânea, mas ainda com contornos de achado arqueológico: a memorável Dr. Estranho: O Juramento, do K. Vaughan, com o intimista e auto-explicativo Magic and Loss, do Lou Reed. "Gassed and Stoked" rolando na sequência das Areias de Nisanti é coisa de louco.

Já vou pensando nas próximas submersões. Imagino que não vai funcionar sempre. Mas vale a tentativa.

Ps: pena que a "Cat People", do Bowie, só tem 5 minutos. Caso contrário, iZombie Vol. 2 - se vier, né Panini - já teria trilha à espera...

Harley Mary, Typhoid Quinn

Difícil comentar sobre uma pérola menor do genial universo de Batman: The Animated Series, mas como alguns pontos do presente andam convergindo com alguns pontos do passado, vamos lá.

Não faltou quem não babasse pela Margot...

                     

...Robbie recheando o shortinho colante da Arlequina no set do vindouro filme do Esquadrão Suicida. Mesmo ojerizando o "uniforme", mais pra putinha decadente de metrô nova-iorquino do que pra serelepe assistente do Coringa. Que de assistente e sidekick já não tem mais nada há tempos.

A filhota insana do Bruce Timm se mostrou uma empreendedora única e transcende mídias com uma facilidade poucas vezes vista nesse mundinho ingrato que é a indústria americana dos comics.


O fato é que papo com o Luwig vai, papo com o Luwig vem, e sempre o Demolidor da fase Ann Nocenti e John Romita Jr. é jogado no balcão do boteco. Inevitalmente o que se segue, pra mim, é uma revisitada às páginas amareladas da tal fase. E sempre passando pela Mary Tyfoid. Com o maior prazer, diga-se.


Então me pego pensando em como a doida assassina sexy sorridente Maria Tifóide se parece com a doida assassina sexy sorridente Harley Quinn. Em como a Arlequina, criada por um homem, recebeu um verniz descontraído e jovial, enquanto a Tyfoid, criada por uma mulher, é genuinamente assustadora e complexa.

Na verdade, você poderia até arriscar uma relação com a Harley, em algum nível. Não posso dizer o mesmo da Tyfoid. Pelo menos ninguém em sã consciência e com menos de 2 metros e 150 kg.

Seria Harley mais um estereótipo fofo do sexo feminino (free spirit ma non troppo)? Ou Tyfoid mais um sonho de poder molhado (e psicótico) do feminismo xiita?

Um dia formulo isso direito. E on the rocks.

Buddy Baker Facts #2: "Eu sou um homem casado, não um macaco"

Buddy Baker Facts #1: "Vocês o quê?"

Os primórdios de um vício

Como se não fosse irracional o suficiente lidar com o dreno no orçamento mensal via aquisição compulsiva de quadrinhos, eis que surge agora um hobbie tão dispendioso quanto o primeiro. Falo da estrada $inuo$a chamada “colecionáveis”, que comecei a percorrer justamente com ele – sempre ele! –, devidamente presenteado por minha esposa e alojado no aconchego da estante em que destino o acervo. Nem tardou muito e começaram a vir os Action Figures, sobretudo, da linha Marvel Legends e a ânsia por completar aqueles maravilhosos BAFs¹. Sim, nesse meio-tempo acabei descobrindo que os colecionadores desse nicho mercadológico têm também seu próprio idioma. 

Sob pena de me repetir, manter colecionáveis é um hobbie tão impraticável quanto a manutenção da atual tendência de publicar compilações de quadrinhos em capa dura, mas tanto para uma quanto para a outra, tem lá suas vantagens. A única que de fato tem me importado é que, além de arborescer a estante, tornando-a ainda mais vistosa e palatável aos olhos do dono, há um fator terapêutico que me escapa as palavras. Quer dizer, qualquer descarga de estresse do cotidiano parece ser esvaziada quando dedico alguns minutos admirando-a. Só não vale lembrar-se da fatura do cartão de crédito do mês vindouro. 

¹ Acabo de "criar" o Pai de Todos!

terça-feira, 12 de maio de 2015

A escolha de Don Draper

Mad Men está próximo do fim e desde o regresso do sétimo ano no último 05 de abril, o que se tem visto é um vigor narrativo como poucas vezes se viu, inclusive, nas melhores temporadas da série. Na semana que vem, precisamente no domingo, 17 de maio, a cria de Matthew Weiner se despedirá e deixará saudades. Saudades de um casting infalível e personagens que já entraram para a História da Teledramaturgia. 

Ambientado em Nova Iorque, Mad Men tem lugar na década de 1960 em uma agência de publicidade na Madison Avenue. Centra-se em Don Draper (Jon Hamm), um executivo sênior, e retrata as pessoas em sua vida, dentro e fora do escritório. Em sete anos - mas com toda pinta de oito -, os espectadores foram tragados¹ por esse vórtice ideológico reacionário que foi o trajeto dos 60's para os 70's. Um dos símbolos da série e, claro, dessas transformações sofridas pela sociedade, especificamente a revolução sexual e paridade laboral, se deu com a fascinante personagem vivida por Christina Hendricks, Joan Holloway. 

Por outro lado, mesmo cada um brilhando ao seu próprio modo, é em Don Draper que todos os holofotes estão apontados. O que ele fará? Qual será seu destino? Fato é que, nos últimos dois capítulos, esse intrigante ser fictício, que sempre flertou com o suicídio profissional, sentindo-se mais uma vez deslocado no tempo e espaço, chuta de vez o balde, abandonando uma das mais importantes reuniões de sua carreira - com a Miller -, para ir em busca de uma enigmática garçonete, tão fragmentada quanto o próprio. Esse pequeno road movie encenado nesse penúltimo capítulo (S07E13) foi também a primeira vez em que ele falou em voz alta sobre aquele pequeno grande segredo que (re)definiu sua vida. 

Se essa não for a hora e vez de Jon Hamm levar suas inéditas estatuetas nos próximos Emmy e Globo de Ouro, há definitivamente algo de muito errado nesse mundo. 

¹ E, cá entre nós, ainda não consegui me libertar daquele vórtice que foi o premiado e, para muitos, o melhor episódio de todo o programa: The Suitcase (S04E07).

Pare AGORA o que está fazendo!

A Panini VAI republicar Promethea, de Alan MooreeeEEAAARRRGGHHH!!!

O dossiê esquecido

Um belo exercício de imaginação¹ reproduzido de uma Terra Paralela onde os direitos autorais não são tão castradores quanto os nossos. Enfim, vamos direto ao ponto: onde está o meu "Dossiê Negro" que foi prometido para o inverno de 2013? 

Cumpra suas promessas, Devir! Nada escapa aos Escapistas! 

¹ Quem foi o übernerd bonitão que conseguiu identificar todos os personagens?

O triste fim de Crawford "Nightrider" Montizano


Acredito que a semana esteja sendo sentimental e tensa para a geração que conheceu o Senhor Max Rockatansky através das centenas de reprises veiculadas pelo SBT entre a década de 1980-1990. E, obra do destino ou não, a estreia de A Estrada da Fúria (2015) chega exatamente trinta anos após a estreia de Além da Cúpula do Trovão (1985). Certo é que, além de seu velho V8 Interceptor merecer um belo trato, o momento é propício para limpar a poeira dos DVDs e apreciar senão uma maratona revival, pelo menos rever algumas cenas antológicas da trilogia que fizeram o nome de George Miller. 

Entre todos os momentos inesquecíveis da franquia do Guerreiro das Estradas, a minha favorita ainda é a do vídeo acima, a introdução do filme original: a perseguição ao Nightrider.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Porquinhos ao chão!

Veja aqui a notícia.

Se até Aquaman ganha encadernado, desses bonitinhos e baratinhos (cortesia das crianças escravas da Indonésia), acho que faz sentido esperar que a Mulher-Maravilha de Brian Azzarello ganhe o seu.

Crise Infinita? Geoff Johns e Phil Jimenez no automático, exagerando no gore pra suprir a falta de uma boa história? Não, obrigado, eu passo.

O amor é a melhor coisa!

Uma instituição do rock britânico, o Blur, retornou à ativa, após 12 anos de ausência, com o elogiado The Magic Whip. Jimmy Fallon, host do programa mais cool de todos os tempos da última semana, chamou a banda para uma jam ao som do demolidor gospel "Tender", sua provável melhor música. Todo mundo está obviamente se divertindo muito e eu teria feito o mesmo que Jimmy faz, ao final da apresentação. Um momento pra guardar no coração.

Antes das Guerras Secretas...

Lamento pelos leitores de ocasião que só chegaram nesse instante com o lançamento das novas Guerras Secretas, de Jonathan Hickman & Esad Ribic, mas essa, definitivamente, não será uma história que poderá ser julgada pelo seu destino, mas tal como quase tudo, por sua jornada. Caso você se encaixe no perfil desse paraquedista que acabei de citar, fique tranquilo, você não é um caso perdido. Na verdade, Guerras Secretas é o pináculo de uma longa história que, em verdade, não começou a ser contada apenas nas revistas gêmeas Vingadores e Novos Vingadores, mas sim, lá atrás, a partir de Quarteto Fantástico #570–588, 600–611 e Fundação Futuro #1-23.

O acesso de Hickman ao Universo Marvel se deu no ano de 2009 em Guerreiros Secretos e nas duas minisséries que se propunham a contar uma história secreta da S.H.I.E.L.D. Em ambas, sentia que um ás dos roteiros de histórias em quadrinhos estava surgindo, sobretudo quando me flagrava tentando compreender aquela mente analítica e sistemática capaz de engendrar layouts fascinantes como apêndices dos títulos. Pena que os mesmo não foram reproduzidos no Brasil na extinta revista Capitão América & Os Vingadores Secretos. 

Sem perder o fio da meada: deixe de lado sua voz interior chatinha e birrenta – “ah, eu detesto o Quarteto!” – e faça um favor a si próprio, lendo as edições supracitadas. Foram a partir delas que Hickman começou a trabalhar com as noções intrincadas de incursão planetária via multiverso e, claro, construiu uma dinâmica familiar para a Primeira Família como jamais se viu em toda a trajetória da mesma. Como dica, preste bastante atenção em Destino, Franklin e Valéria Richards. Eles deverão ser cruciais para tudo que ainda está por vir nessas Guerras Secretas.

E se ainda não convenci você a ler o Quarteto de Hickman, sem problemas! É penoso que estará perdendo aquele inspirado conto em que Ben Grimm tem a oportunidade de reverter seu estado rochoso por uma semana ao ano, o que lhe leva a curtir tudo que ele não pode fazer como o Coisa; e, claro, tem também a mais etílica, impagável e surreal história do bromance, Johnny & Pete! 

Os Escapistas

140 caracteres deveriam bastar, os blogs privados, idem. Contudo, na era da informação, ao longo dos dias, praticamente todo sinal e ruído que perpassa nossos córtices acabam silenciados pelo que chamamos de “falta de tempo”, arrebatando ou arrefecendo qualquer desejo de expressar ou bradar aquela convicção imediata que só você tem acerca daquela leitura, audição, filme, episódio, clipe, resgate psíquico ou, vá lá, o mero ato de escapar das próprias realidades mundanas.

Pois bem, a ordem do dia – e os próximos, se o Deus Afogado permitir – é fazer desse “jornal”, se é que poderemos chamar assim, uma válvula de escape para aquelas pulgas que insistem em infestar as orelhas desses infames Escapistas.

Fujam para as montanhas! Está no ar: Os Escapistas!